Eles, de novo!

Tenho manifestado minha contrariedade com a já tradicional “dependência” do esporte profissional junto aos mais diversos níveis de administração pública. São prefeituras patrocinando despesas que cabem exclusivamente aos clubes profissionais ou colocando dinheiro público em obras que só beneficiam este segmento. E o pior, sem qualquer contrapartida, em detrimento dos investimentos que beneficiem a população.

Enquanto os formadores e os atletas amadores sentem na própria carne as dificuldades para sua sobrevivência e para disputarem competições, muitas vezes representando suas cidades e estados, num degrau acima os ditos meios profissionais são contemplados com generosas ajudas.

Os exemplos estão por aí, espalhados pelos quatro cantos do país.

Agora mesmo, ameaçados pelo oportuno anúncio do Governo Federal em frear as casas de apostas – as tradicionais bets – os clubes já se abrigam num novo e amplo programa à espera do socorro governamental.

Mais um, caras pálidas?

Amparados pela CBF, que ao invés de financiadora pretende ser apenas articuladora, eles pedem uma linha de crédito junto ao BNDS, com juros menores que os do mercado bancário e com dinheiro destinado ao pagamento de dívidas.

Mais uma vez, nada de novo.

O futebol profissional quer o dinheiro público para resolver os problemas de um segmento que se autodenomina privado. Pelo menos é assim que agem quando são ameaçados.

Enquanto isso, as bets lançam uma óbvia notificação/ameaça aos seus patrocinados: se formos proibidos, cancelaremos os contratos.

“Elementar meu caro Watson”, diria Sherlok Holmes. Se não tem patrocinador, não tem patrocinado.

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