As malditas eleições

Assim como nós, eleitores constitucionais, somos responsáveis pelo que escolhemos, logo, devemos ter responsabilidade na hora da escolha, no futebol não é diferente. A série nacional de clubes passando por incontáveis problemas administrativos – que viram financeiros e sociais – tem fortes ramificações em Santa Catarina. É só acompanhar os noticiários de cada cidade para que a triste e real situação seja devidamente identificada e reconhecida. Outro dia, ouvindo um conceituado programa esportivo de uma não menos responsável emissora de rádio, com profundo trabalho junto ao clube da sua cidade, logo com amplo conhecimento da base das dificuldades, foram citados tantos problemas que afetam o hoje e comprometem o amanhã de tal associação, que custei a acreditar. Fui à luta em busca da confirmação dos fatos e fiquei estarrecido com o que me chegou de informações. Entre outras coisas fui cientificado que “os dirigentes estavam festejando a paralisação do futebol em razão da data Fifa, por amenizar a necessidade de abastecimento de material para treinos – inclusive alimentação na concentração” segundo me postou um dos informantes. Lamentável.

A cidade, de uma invejosa economia, o clube de uma tradição ímpar e uma torcida sempre pronta a abraçar a sua paixão esportiva, estão sem rumo. Para piorar, as propostas administrativas que foram apresentadas não oferecem nenhuma segurança para a solução da grave crise.

Mas qual a razão de tantos problemas?

Começa pela tal das “eleições” onde quem escolhe os dirigentes são pessoas sem qualquer compromisso e muitas vezes sem o devido conhecimento das necessidades que a modernidade nos impõe.

A avaliação conclui que na expressiva maioria da administração dos clubes o Conselho Deliberativo – órgão com poder para evitar desmandos e promover mudanças – é um colegiado recheado de meros torcedores, arcaicos, inexpressivos, alguns intimamente ligados aos dirigentes que estão escolhendo e com visão zero sobre o que pode ocorrer dentro da associação. E quando se deparam com os problemas, de imponentes se transformam em impotentes e postergam decisões, não raras vezes determinantes para o agravamento da situação.

A crise de competência requer mudanças no sistema, mas isso ainda está longe de acontecer. Até lá, a solução será mesmo transferir para gestores profissionais a responsabilidade de regulamentar ações e regularizar os problemas. Mas aí vem uma dura questão: quem vai avaliar a qualificação dos pretendidos ou dos pretendentes? Por enquanto os mesmos das malditas eleições.

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