O inferno está cheio deles.

As notícias ruins no futebol não tiram férias. Estão sempre rondando as redações, mas nem sempre são por seus habitantes reconhecidas. Sim, porque a imprensa brasileira não está mais acostumada a investigações. O sistema atual requer mais a tranquilidade de um ar condicionado, a exigência do cumprimento de apenas cinco horas diárias de trabalho, adicionais noturnos, folga nos finais de semana, desapego total ao entorno dos acontecimentos e, quando possível, o cumprimento apenas das parcas pautas diárias – onde ainda existe pauteiro. Nada além disso.

Avessa à esse novo comportamento da mídia tradicional, a jornalista Joanna de Assis, do portal UOL, dedicou quase dois anos de suas atividades para investigar uma denúncia da compra de licenças falsas de treinador, por ex-jogadores profissionais do futebol. O assunto atingiu o futebol catarinense, onde o técnico do Joinville, Diego Souza, foi incluído como um dos beneficiados pelas falcatruas do argentino Alejandro Mancuso, um ex-volante com passagens pelo Palmeiras e Flamengo.

É oportuno que se dê o crédito à jornalista e que se apresente à ela as devidas referências pela excelência da matéria. Joanna devolveu um pouco da antiga credibilidade do jornalismo, especialmente ao esportivo, onde a grande maioria se presta apenas ao papel de defender seus próprios interesses.

Mea-culpa

Quais envolvidos no escândalo dos diplomas assumirão a culpa pelo que fizeram? Os que já se manifestaram, dizem que foram enganados, que caíram num golpe. Mas ninguém caiu no golpe, todos participaram do golpe. Ou as facilidades oferecidas pelo golpista Mancuso não denunciavam uma ação ilegal? O pior é saber que na lista dos ditos “inocentes” estão nomes de renomados ex-jogadores como Alex 10, Roberto Carlos, Diego Souza, Thiago Silva, Felipe Melo (que nunca foi, mas posa de mocinho) e outros.

O que me faz lembrar aquele ditado de que “o inferno está cheio de santinhos”ou de que “não tem virgem em casa de prostituição”.

Enquanto isso…

…Não tenho me manifestado nessas questões do futebol de Florianópolis – onde o Avaí está à beira do caos e o Figueirense respirando por aparelhos – mas não posso deixar de registrar o último fato que movimentou o clube do Estreito. Nessa esperança de que alguém consiga superar as incompetências da atual administração, pelo menos uma boa notícia circulou na mídia. Foi o anúncio da saída em ex-presidente Edson Silva que faz tempo, só alimenta esperanças, nada mais do que isso. Ações financeiras, que estão ausentes do Orlando Scarpelli, podem vir do bolso de outros. Dele, não.

Sono profundo

Se já dormia em “berço esplêndido” a SC Clubes – Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina – nos últimos tempos parece não ter mais forças para acordar. A entidade (sem fins econômicos, como diz o seu Estatuto) arrecada 1% da renda bruta dos jogos disputados em Santa Catarina (menos da Chapecoense) mas está mais parada que água de poço. Se meus cálculos não falham, em dezembro haverá eleição para uma nova diretoria.

O calendário para 2027

A CBF anunciou o calendário do futebol brasileiro para 2027. Como se esperava, haverá paralisação das quatro divisões nacionais e da Copa do Brasil, durante o Mundial Feminino que será disputado no Brasil.

Para os estaduais estão reservadas 11 datas, de 10 de janeiro a 7 de março.

A Série A será de 27 de janeiro a 1 de dezembro, com o primeiro turno sendo disputado no primeiro semestre e o returno, no segundo. Serão 41 dias de paralisação.

O calendário abre com a Supercopa Rei, em 24 de janeiro. A Série B, de 20 de março a 27 de novembro.

A Copa do Brasil, que vai reunir 128 clubes, começa em seis de janeiro e se estenderá até 5 de dezembro.

Já a Série C, que terá 24 equipes, será de 4 de abril a 31 de outubro e a Série D terá jogos de 4 de abril a 12 de setembro.

As Copas Regionais (Copa Verde, Copa Sul-Sudeste e do Nordeste) de 24 de março a 13 de junho.

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