O futuro dos estaduais

A ladainha de todo final de temporada do futebol está de volta.

A necessária limitação de datas para a realização das competições estaduais engessando as federações, prejudicadas pelos calendários superiores – CBF (Brasileiros das séries A, B, C e D, Copa do Brasil, Recopa e os regionais como Copa do Nordeste e Sul-Sudeste) da Conmebol (Libertadores e Sul-Americana) e até da Fifa, como o Mundial Feminino no Brasil – engrossam os questionamentos.

O mais destacado deles é a velha pergunta: Afinal, pra que servem os estaduais?

A dúvida está mais relacionada com a elitização proposta nos maiores centros, do que na valorização de cada estado. É verdade que estes torneios estaduais estão longe de terem o prestígio e a importância de décadas atrás, mas o valor de cada um é indiscutível e precisa ser respeitado.

Para muitos clubes, muito mais do que o orgulho de estampar o feito de uma conquista nas suas salas de troféus ou de gerar momentos de felicidade para seus torcedores e registrar o título na sua história, há outros valores que precisam ser aceitos, defendidos e valorizados.

Vejamos

Os estaduais geram uma ampla cadeia de empregos em diversas camadas da sociedade e sustentam uma importante fatia da base da pirâmide do futebol brasileiro.

Mesmo que o fim dos estaduais seja levado para o contexto que cerca os grandes clubes do país e as repercussões geradas em suas finanças, ele não deve ser generalizado.

É até aceitável que para os poderosos este recorte seja entendido como torneios que proporcionam, de maneira mais expressiva, uma felicidade rápida em contraponto à sua capacidade de gerar crises duradouras. Afinal, um grande clube ser campeão é uma obrigação, mas perder um título para um de menor expressão, vira uma tragédia.

A importância

No aspecto técnico os estaduais não têm a importância de uma Copa do Brasil, Sul-Americana ou Brasileirão – muito menos de uma Libertadores – mas atinge proporções de vivência muito forte e necessária para a formação das equipes. E, nisso, é preciso reconhecer que além do campo técnico o torneio pode ser uma excelente base econômica para quem se preocupa com a formação de novos talentos.

Uma boa iniciação num estadual, certamente pode mostrar o que está errado no rascunho de uma equipe para o restante da temporada, além de, certamente, poder indicar o melhor caminho. E, no final as contas, uma boa preparação justifica qualquer esforço, superando as possíveis fragilidades da competição.

Assim, aceitem e respeitem os estaduais que para alguns não importam, mas que para uma expressiva maioria geram o prazer da felicidade.

Que o digam os vencedores de cada competição.

Sem desculpas

O que os estaduais precisam, e o catarinense é um deles, é encontrar os melhores caminhos para a sua realização. Por aqui dirigentes de clubes, sem exceção, têm exagerado na transferência da responsabilidade de seus fracassos para quem menos interfere neles. Quando cada um deliberar pensando no conjunto da obra, esquecendo suas vaidades pessoais, será possível corrigir erros e alterar rumos.

Mas quem vai pensar assim?

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